sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Faça amor não faça Guerra.

Para as mulheres que reclamam do paixão pelo time de futebol dos seus respectivos parceiros, e também para os babacas que comemoram vandalizando e brigando. Aprendam a comemorar como os torcedores do Barcelona:

Segundo o blog 'Fuera de Juego', do site do jornal espanhoal 'Marca', as maternidades de Barcelona registraram esta semana um aumento de até 50% na média de nascimentos diários. O Hospital Quirón, por exemplo, realiza normalmente nove ou dez partos por dia, número que nos últimos quatro dias subiu para 15. O aumento chamou a atenção das enfermeiras, que fizeram as contas e foram tentar descobrir o que aconteceu de tão extraordinário 39 semanas atrás, tempo de uma gestação. Descobriram a semana mágica do Barça.
Há quase nove meses, na primeira semana de maio, o Barça vivia uma semana inesquecível. Primeiro, goleou o rival Real Madrid por 6 a 2, no Santiago Bernabéu, praticamente colocando a mão na taça do Campeonato Espanhol. Festa na Catalunha. Quatro dias depois, um gol de Iniesta nos minutos finais do jogo contra o Chelsea garantiu a vaga na final da Liga dos Campeões da Europa. E tome comemoração!
Reportagem original aqui

O Xico Sá já disse tudo sobre o tema no texto Testorena Futebol Clube. Assino embaixo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sequência

Chovia fraco, as nuvens apesar de pesadas apenas borrifavam gotículas minusculas e espaçadas. Naquela madrugada solitária e fria ele caminhava ouvindo o ritmo rápido dos seus passos na calçada. Nervoso, só pensava em chegar em casa e tomar um banho. Um Estampido, o susto, pressão na nuca. Bateu o rosto no chão.
Cheiro de chuva e morte.

Foi um único e certeiro disparo, o corpo inerte desabou no chão. Ele se aproximou para confirmar o fato. Nunca havia matado. Uma curiosidade maior do que o nervosismo o fez se aproximar do infeliz. O Sangue fluía viscoso do pescoço e se diluia lentamente com a água da chuva. Fugiu desaparecendo na noite.
Cheiro de pólvora e vingança.

O sol chega vencendo a madrugada, as nuvens se cansaram e foram chover em outro lugar. O soldado está entediado a espera do rabecão, o cadáver é apenas mais um formulário em sua rotina. Curiosos cobrem o corpo da vítima, alguem acende uma vela. Na viatura a voz metálica do rádio anuncia mais uma ocorrência.
Cheiro de café e tédio.

A família resignada, já esperava a morte, um irmão se apresenta ao policial, recebe autorização e se aproxima do morto. Ele parece tão desconfortável naquela posição sobre o concreto duro. O toque surpreende, pele está gelada. Um beijo na face. Lágrimas.
Cheiro de cigarro e tristeza.

Foi numa outra noite, essa era quente, com lua minguante e o céu estrelado. O futuro defunto se aproximou delicadamente dela repleto de cobiça. Um beijo no rosto limpo e macio. Ele falava, ela escutava. O samba já cantava cansado e a festa ia terminado, Ele pediu mais uma cerveja e beberam rápido. Seguiram pro barraco. Dessa vez ousado, beijou o pescoço da mulher.
Cheiro de álcool e traição.

A morena de corpo nu e suado encarou o teto com satisfação, deitada no peito do amante não pensava em nada. Observou apenas a fumaça densa do cigarro barato subir lentamente. Estouro. A porta foi aberta com um chute, o marido traído viu apenas a bunda preta do homem pulando a janela.
Cheiro de sexo e tragédia.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Fuga

Era uma noite quente, mas havia uma brisa agradavelmente fresca acariciando seu rosto, ainda estava completamente apaixonado não havia dúvida. Caminhavam grudados ele a carregava carinhosamente no colo em direção ao carro como se fossem recém casados.
A olhava nos olhos e talvez ela tenha suspirado. Ele achou meigo, apesar dela parecer mais exausta do que apaixonada.

Ele foi dirigindo como de costume. Passaram na porta do bar onde deram o primeiro beijo, pela orla da praia onde caminharam de mão dadas por diversas vezes. Viram a fila na porta da boate favorita dela. Era uma última volta, antes de pegaram a estrada para longe da cidade que abandonavam.

Apesar de toda a tranquilidade era uma noite triste, uma noite de despedidas. A viagem que se iniciou antes mesmo de entrarem no carro era sem volta. Ele a olhou sentada ao seu lado, a cabeça recostada no banco, a franja lhe cobrindo os olhos. Ela pareceu adotar aquele ar de indiferença fria que normalmente o irritaria, mas não naquela noite. Não na ultima noite que passariam juntos. As luzes da cidade se fundiam na janela atrás dela, criando um balé luminoso no seu rosto apático. Era uma visão linda. Ele lamentou ter que deixa-la, sofria por saber que depois daquela noite não a veria mais. Não havia jeito, ele sabia.

Pararam no mercado, ela manteve o mesmo semblante neutro e ficou no carro aguardando por ele.
Trouxe para ela um vinho argentino, o preferido dela, não achou as castanhas de caju, mas comprou chocolates e uma bala de leite que ela apreciava muito. Comprou também um cartão e flores.
Pegou para si mesmo um sanduíche e pensou em oferecer um pedaço a ela, mas achou melhor deixa-la em paz.

Seguiram viagem, ele olhou para trás vendo as sacolas no banco traseiro, havia biscoitos, cerveja, papel higiênico, querosene, lâmpadas, rúcula, alguns temperos, miojo, queijos, água, velas, fósforos, uma lanterna, xampu e sabonetes, cobertores, toalhas, um monte de coisas úteis e outras completamente inúteis.

Mas acabou esquecendo justamente da maldita pá.