sexta-feira, 4 de março de 2011

Pequeno devaneio da madrugada

A água cai a cada porção de segundos exatos, cai como rotina, como a gravata às oito horas e o engarrafamento execrador às dezoito e quarenta e cinco, mas já é madrugada e eu ainda trabalhando.

Me pego pensando como seria o sofrimento de um jovem preso em um escritório ou sala de estar que seja, sem paciência e nenhuma chance de escapar, com essa mesma água pingando sucessivamente ao redor e o eco borrando o som, a dor auditiva seguida sempre de uma repetição embaçada. Aquele vento que em breve o aniquilaria, azar ou destino, falta de oxigênio e a convicção de uma morte insuportável. A loucura dominaria seu cérebro cansado, o pingo e a respiração fechada, tlim,tlim, tlim... Ele logo abandonaria a resistência, a calma atingiria sua alma que já aceitou seu fim, parcial ou total sei lá. Ele sentiria um ódio irresistível por toda fé depositada em qualquer força maior que não ajudara, solta um último puta que pariu, porra! E cai em gargalhadas, lembrando das dores dos amores, das flores, dos sonhos, dos tombos e desmaia.

Desmaio. Porque amanhã pela manhã, com ou sem chuva, vem o encontro com a rotina.

2 comentários:

  1. Rotina acaba com qquer um. Vivemos fora dela, assim nem a chuva vai nos fazer cair em depressão. Muito bom. Bjssss

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