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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fôlego

Gostar de você é fácil, simples, instintivo. É quase uma ação involuntária. Uma reação autônoma do meu organismo. Uma ação que independe de pensamento consciente.

Dormindo, comendo, trabalhando.

Gostar de você é como respirar, natural e por vezes imperceptível.
Sabe quando nos falta ar? Sabe aquele ardor no peito quando corremos por muito tempo? Ou quando subimos uma escada muito alta? Conhece a aflição da falta de oxigênio?

As vezes é mesmo como respirar, só percebemos quando nos faz mais falta.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Me and Myself

- Você é um idiota.

- Eu sei.

- Que tipo de merda você tem na cabeça?

- Me diz você que mora aí dentro.

- Estupidez mesmo, falta de noção total, parece que é isso que você tem na cabeça

- Merda! é que as vezes quando falo com ela, perco um pouco mesmo a noção, nunca fiquei tão a vontade com ninguém, nunca fui tão eu mesmo, então as vezes sai essas escrotices da minha boca.

- Vacilou feio! Faltou cuidado justamente com a pessoa com quem você mais deveria se importar.

- Tô ligado, já me desculpei com ela, foi escroto demais, mas onde você estava na hora? Não é seu papel impedir que eu faça esse tipo de coisa? Você devia ter me impedido de dizer besteira? Não adianta nada agora ficar azucrinando meus pensamentos.

- Acho que eu tinha ido levar alguma insegurança para dar uma volta. Como você disse eu estava relaxado e totalmente de guarda baixa, reconheço que dei mole também. Afinal são nossos pensamentos. Também faço parte de você.

- Eu, você... Nós enfim, somos um só. Somos um idiota estupido, mas não esquizofrênico.

- Ok. Concordo, mas diz aí o que a gente faz agora?

- Já me desculpei com ela.

- Eu sei babaca, e provavelmente ela vai desculpar mesmo. Mas acho que você... A gente merece um, sei lá, tipo de punição.

- Não curto auto flagelação.

- Sei, sei... Mas tem que ter algo que nos impeça de repetir essa besteira.

- A vergonha não basta?

- Ta aí, vergonha. Isso afeta a gente. Algum tipo de humilhação pública seria uma boa punição.

- Não estou gostando desse negócio de punição, você está demonstrando uma espécie de masoquismo que eu não reconheço na nossa personalidade.

- Já sei. Vamos colocar esse diálogo imaginário na internet!

- Não sei, acho que não vai ser legal, ela não curte demonstrações públicas de afeto. Muito menos exposição pessoal.

- Nós também não. Por isso mesmo que vamos fazer. O castigo é nosso.

- Ela pode não gostar, nosso filme já tá queimado.

- Ninguém vai saber que é dela que estamos falando. Só ela. É genial.

- Não, não é... Mas não adianta. Estou reconhecendo o brilho no fundo do meu cérebro, vamos ficar convencidos de que isso é uma ótima idéia. Mas promete que se ela pedir, apagamos essa merda.

- Ok.... Decidido.

- Odeio magoa-la.

- Já que estamos falando disso... Sabe, tenho que te confessar uma coisa: As vezes eu fico procurando por aqui no meio dessa bagunça de pensamentos, um cantinho, um pedacinho da gente que não ama ela.

- Desiste disso, parceiro. Nós amamos ela por inteiro, tenho certeza.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Do alto

As turbinas roncaram, a aeronave acelerou e, de repente, estávamos voando, um monte de desconhecidos reunidos ganhando o céu, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu pensando que se o avião caísse, provavelmente iriamos todos morrer juntos. Talvez, nesse instante da queda, nos abracaríamos, faríamos declarações de amor à vida e ao próximo, numa lamentável e patética união, só alcançada diante da morte iminente.

E lá embaixo estava a cidade, planície e mar. Olhando em terra só horizonte, horizontal. Do ar, via apenas minúsculas pessoas e carros transitando por uma malha de edificações, onde vidas são vividas e a maioria delas não se mistura. E lá, deixo uma minúscula partícula se comparada à cidade, mas imensa parte da minha vida.

Lá sei que minha ausência, não fará falta a ninguém, Com exceção daquela lindinha que deixei para trás, depois de juntos compartilharmos alguns poucos e saborosos dias. Mas até ela, se quisesse, esqueceria de mim com o tempo e a distância, guardando, na melhor das hipóteses, apenas uma bela lembrança.

Fazendo ou não diferença a minha presença ou não naquela cidade, senti no momento da partida, a ausência do não vivido, daquilo que poderia ter sido, caso não tivesse que partir, caso pudesse viver de verdade naquele lugar, ou melhor ainda, caso pudesse viver uma vida diferente. E pela qual pagava na despedida um alto preço. O preço da tristeza inexplicável, da dor incontrolável e absurda, por justamente não ser a falta do que passou, mas ser a dor do não vivido – uma pequena morte, ainda mais latente que um dia a menos em nossa existência...

...Nuvens, céu, sol, terrenos diferentes. Uma parada numa outra cidade. O Avião esvazia, eu fico, novas pessoas entram. Um jovem casal a quem eu cedo gentilmente o lugar para poderem viajar lado à lado de mãos dadas... Sorrio por empatia e com uma pontada de inveja. São só pessoas continuando com suas vidas independentes, todas insignificantes como a minha.
Novo ronco, aceleramos mais uma vez, fomos ao ar novamente, outras nuvens que parecem as mesmas, monotonia... Cochilei...

...Montanhas familiares, mar familiar. Lar?
Me lembrei então de como gosto desse lugar, e que geografia não importa tanto. Não é o ponto é a distância. Na cidade horizontal e ortogonal ou na ondulada e labiríntica, melhor juntos do que separados.

Novamente pensando no ainda não vivido. O chão se aproximava.
Quantas vidinhas pequenas se espremem, vem e vão, em diversas direções conhecidas no relevo acidentado de tão maravilhosa cidade? E se cruzam e se encontram e desencontram e se perdem em seu transito caótico, sem que a esmagadora maioria se importe ou perceba tanta vida ou tanta morte?

Cada momento morre quando nasce, não adianta se nele se fala ou se cala. E ali do alto, eu pensava somente em conhecer, partilhar, me aprofundar em apenas uma vida... A dela.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Breguice

Eu queria escrever sobre minha saudade. Saudade de uma ilusão boa. Falar da sua boca de eterno sorriso. De incontáveis pontinhos e de uma certa baleia. Escrever sobre um cisco no olho e fios de cabelo. Saudades de mãos, bocas , suor e de um ar condicionado que não funciona. Falar de peitinhos atrevidos e um bom pedaço de bunda. Queria escrever sobre beijos e rangidos, sobre patinhas de elefante e nomes de panda.
Eu queria falar dos meus olhos cativados pelos seus movimentos. Queria poder escrever um livro inteiro com seus movimentos. Escrever toda essa saudade.

Falta talento, falta muito. Me falta essa sua habilidade peculiar com as palavras, essa maneira tão sua de dizer as coisas, as vezes dizer sem dizer. Falta em mim o brilho que me atraiu em você.
Então eu desisto, da mesma maneira patética como evito enviar uma mensagem do meu celular pela manhã assim que acordo. Sabendo que é inevitável não pensar em você o dia inteiro. Ridículo.

Não sei quando comecei a te amar, talvez antes mesmo de te conhecer, enquanto ouvia uma música melosa, ou assistindo a algum destes filmes de romance que passam na tv.
A paixão ilude, eu sempre soube. Dois pés atrás sempre. Negação que me foi inútil. Cai no poço em queda livre. Como na expressão em inglês: falling in love. Mais brega impossível. Hoje estou assim, tão meloso que enjoa, quase mulherzinha.

Com o tempo aprendi que você não é o meu personagem perfeito, mas é o que existiu de mais próximo. Depois que te conheci, esses filmes perderam ainda mais o sentindo. E o desprezo por contos de fadas é maior. Eu podia ficar aqui escrevendo das histórias que passam na terra-do-nunca que existe dentro de mim. Eu poderia escrever cenas encantadas com trilha sonora dos teus discos prediletos.

Mas eu tenho uma vida real, nós temos uma vida real. Problemas reais. Medo de acreditar em romance de filme bobo. E quando eu falo de você, falo mesmo do meu lado mais bobo. O meu lado impossibilitado de gostar de você apenas de forma simplória como na vida real.
Não quero sonho, quero o sólido e o abstrato. Quero a aventura. Quero a rotina. Quero tudo.

Falar de você é acreditar naquelas coisas que eu passei o vida inteira fingindo não acreditar.
Falar de você é expor aqueles segredos que a gente guarda a vida inteira. É me dar chance de lembrar das situações felizes que eu ainda não criei para nós dois.
Falar de você é mais do que libertar lembranças redundantemente passadas e contraditoriamente futuras.

Falar de você é correr o risco assustador de ser bem entendido.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ontem

Foi um domingo de sol muito sol. Calor é bom depois de dias de frio.
Um dia de acordar cedo, passear e ver paisagens bonitas. Maresia invadindo o nariz
Uma manhã de correr atrás de criança, de tomar sorvete e água de coco. Refrescar o suor.
Domingo de almoçar com amigos. Rir de histórias já contadas.
Dia de cochilo e preguiça. Dormir de barriga para cima no meio da tarde.
Fim do dia com peixe frito e cerveja. Zoar os botafoguenses e tricolores.
Noite de dormir embriagado. Apagar de cansaço.

Domingo feliz?
Nem tanto

Porque foi mais um dia sem ela.